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sábado, 28 de janeiro de 2012

Carta Aberta da RENAJU à Teresina

A formação das cidades brasileiras está interligada ao desenvolvimento do transporte público. De 1940 a 2000, a população urbana teve um crescimento de 135 milhões de habitantes. Formaram-se as grandes periferias, regiões afastadas do mercado de consumo e trabalho. A lógica da formação da cidade brasileira está imbricada à dependência da classe trabalhadora aos centros comerciais. Nesse contexto, a classe patronal, detentora dos meios de produção, potencializou a espoliação da classe trabalhadora, apropriando-se da função social do transporte público, restrigindo-o tão somente ao transporte do operariado ao trabalho. Hoje, o ranço dessa lógica permanece no país. Contudo, com um novo recorte: atualmente, o transporte público é uma verdadeira máquina de lucro. O alto valor das tarifas cobradas para termos acesso ao transporte coletivo - e não público- é mais uma forma de exploração da classe trabalhadora e estudantil.
Em 2012, iniciamos o ano com o aumento do valor da tarifa do transporte publico em várias cidades do pais e devemos todos nos perguntar: Este aumento me afeta enquanto indivíduo? E enquanto membro da sociedade? Afinal, qual a importância do sistema de transporte público e, principalmente, da luta por melhores e mais justas condições da infraestrutura deste serviço público?
Para alguns, pode-se viver uma vida sem utilizá-lo, para outros constitui verdadeira condição para usufruto do espaço urbano. Fato é que o transporte público é expressão do direito de ir e vir e do direito à cidade para todos, independentemente do poder aquisitivo. Além da tremenda importância social, exerce grande impacto sobre o mercado, haja vista que é a forma mais comum de deslocamento dxs trabalhadorxs ao local de trabalho.
A despeito de sua importância sócio-econômica, observa-se no Brasil um profundo descaso com o sistema de transporte público, com as tentativas de mercantilização deste serviço. E isto é realizado das mais diversas formas: desde o aumento da tarifa, passando pela precarização do serviço, as manobras do lobby de empresários e seus jogos de interesses com o Poder Público.
Os usuários de transporte público beneficiam toda a sociedade, uma vez que este serviço possui baixos custos sociais relacionados ao transporte (poluição, trânsito) em comparação às frotas de automóveis. No entanto, é justamente sobre nós que os impactos da lógica mercantilista do transporte ressoam mais forte. E é precisamente por isso que a luta contra a precarização e mercantilização deste serviço público é tão importante e é de toda a sociedade.
Os protestos de estudantes e trabalhadorxs de Teresina contra o aumento da tarifa de ônibus, embora legitimado pelas garantias constitucionais sobre as quais está fundado este pretenso Estado Democrático de Direito, sofrem uma dura repressão das forças governamentais. Seja através da Polícia Militar, de grupos de seguranças privados contratados pelos empresários da SETUT ou da mídia hegemônica, a repressão brutal (que inclui agressões à estudantes, prisão de inimputáveis, intimidações e outras formas mais ou menos sutis de violência estrutural) é a exposição de uma realidade na qual a economia (a lógica do mercado e da concorrência) se naturalizou como ideologia hegemônica - se impondo a todos os setores da vida social e individual - ao custo dos princípios elencados na Carta Magna.
A democracia não é uma coisa pronta e acabada, e sim um processo dinâmico e frágil que deve ser defendido enquanto conquista humana. A Constituição Federal de 1988 garante a livre manifestação do pensamento e o direito de reunir-se em locais abertos ao público, independentemente de autorização. Dadas as atuais condições de opressão e espoliação, a mobilização e os protestos de estudantes e trabalhadorxs da capital do Piauí constituem verdadeiros atos democráticos contra um discurso unilateral e fascista que se apropria dos instrumentos estatais para, ao custo da sociedade civil, garantir privilégios para uma elite vetusta e criminosa.
Desse modo, os movimentos sociais representam a potencialidade que mulheres e homens têm em se organizar e construir coletivamente uma sociedade verdadeiramente popular. Apesar de existirem diversos tipos de movimentos sociais, apenas alguns realmente ganham dimensão e expressividade, notadamente aqueles que têm um caráter emancipatório e que expõe à sociedade as brechas e contradições do sistema capitalista.
Diante do cenário brasileiro de exploração do homem pelo homem, Teresina não poderia continuar calada. A mobilização em torno da defesa de transporte público de qualidade desmacara o sistema que está posto, na medida em que denuncia a máfia entre a prefeitura e os empresários do SETUT, o aumento desmedido da tarifa de ônibus, a instalação de um sistema de integração, que de integrador só possui infelizmente o nome.
Quando estudantes, trabalhadorxs e entidades se organizam para denunciar as mazelas que o povo teresinense está sofrendo, atacam diretamente o sistema e os interesses hegemônicos de poder. Assim, políticos e empresários buscam seus meios e armas mais eficazes de defesa.
A grande mídia se apresenta, por excelência, como instrumento da ideologia dominante e em Teresina, está tendo um papel destacado na criminalização do movimento, adjetivando os militantes de baderneiros e bandidos, facilitando a criação de um falso consenso na sociedade local de que o movimento é ilegal e de puro vandalismo.
Nesse sentindo é que a Rede Nacional de Assessorias Jurídicas Universitárias (RENAJU), levando em consideração sua trajetória de lutas e a busca incessante pela emancipação popular, compreende como ato fundamental o repúdio a este conjunto de opressões e de truculências governamentais que vem sendo implementados sobre os estudantes e trabalhadorxs teresinenses!
Somado a isso, a RENAJU se solidariza com este movimento combativo construído na luta popular, que se opõe a exploração cotidiana da classe trabalhadora e estudantil, que denuncia como o governo trata o seu povo!
Solidariza-se, em especial, com xs companheirxs da Rede Estadual de Assessoria Jurídica do Piauí (REAJUPI), composta pelos núcleos CORAJE, MANDACARU, CAJUÍNA E JÁ!


Porque defender de um transporte público de qualidade, combater a exploração humana, gozar de liberdade de manifestação e lutar por direitos não é crime!


Rede Nacional de Assessorias Jurídicas Universitárias - RENAJU

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PAJUP no IV ENNAJUP, em Fortaleza/CE

O IV ENNAJUP foi realizado em Fortaleza-CE, na Faculdade de Direito da UFC (Universidade Federal do Ceará), entre os dias 29 de outubro e 02 de novembro de 2009, com a participação do PAJUP.

Mística inicial no IV ENNAJUP

O evento possibilitou discussões em torno da universidade, pondo em pauta a contraposição daquela que temos e daquela que queremos, da atuação da AJUP, bem como questões que envolvem a violação aos direitos humanos, movimentos sociais e direito à moradia, o que incluía ato na comunidade.

Momento de debate no IV ENNAJUP

Naquele último ponto, destaca-se o momento de grande importância referente à visita realizada na ocupação Raízes da Praia, que dizia respeito à ocupação de um terreno localizada na Praia do Futuro. Observou-se o conflito existente entre a população que ali residia e os proprietário, contrapondo o direito daqueles em tem uma moradia e uma vida digna – direitos tantas vezes negados pelo Estado – e os anseios individuais e econômicos destes últimos.

Ocupação Raízes da Praia

Ademais, neste encontro o PAJUP estava mais adequado à dinâmica da RENAJU, o que não significa que os membros que participaram haviam assimilado aquela por completa, principalmente pela ausência quase que constante da RENAJU enquanto pauta nas reuniões e no planejamento do grupo – que só era tratada quando da proximidade dos encontros e em momentos de formação do grupo, ou seja, não era discutida de forma perene, tratando-se de uma das carências do grupo.

Encerramento do IV ENNAJUP

Disto resultou que os membros que participaram do encontro elencaram diversas angústias em relacao ao PAJUP, esboçando várias críticas para que fossem apresentadas ao grupo. De forma ampla, assinalavam que o grupo precisava mudar algo no seu comportamento para que tivéssemos mais compromisso, bem como para que fossemos mais atuantes - tudo com o intuito de melhor articular o grupo, evitando que o mesmo pereça em face de seus problemas internos.

PAJUP no XI ERENAJU

XI Encontro da Rede Nacional de Assessorias Jurídicas Universitárias.


*por Ruan Didier Bruzaca
Maio de 2009

No início de abril de 2009, alunos do PAJUP/UNDB (Programa de Assessoria Jurídica Popular) participaram do XI ERENAJU (Encontro da Rede Nacional de Assessoria Jurídica Popular), ocorrido em Guararema-SP, na Escola Florestan Fernandes.
Escola Florestan Fernandes - Guararema/SP

Atuando, desde o início de 2008, nas comunidades da Vila Luizão e Divinéia, o PAJUP é um programa de extensão universitária do Curso de Direito, cujo propósito consiste no diálogo entre o saber acadêmico e o saber popular, a fim de promover o ensino (associado à pesquisa e extensão) comprometido com o processo de emancipação/transformação social.

Plenária inicial do XI ERENAJU

Foi nesse evento que se ofi
cializou a integração do PAJUP à RENAJU, preenchendo os requisitos formais – a referida AJUP, contando com esse evento, havia participado de 2 encontros nacionais e 1 norte-nordeste.
Neste encontro, pode-se considerar que o PAJUP ainda estava conhecendo a rede, o que inclui seu contexto atual de debates, formação e renovação. Mais além, destaca-se que alguns membros sentiram-se meio deslocados, perdidos em relação aos debates elencados no encontro – talvez em razão de se tratar de grupo novo e de inexistir um contato mais próximo em relação à RENAJU.


Momento de dinâmica em painel do XI ERENAJU

Não obstante, o encontro possibilitou uma experiência única e inesquecível para os membros. A troca de experiência, o contato com demais grupos de assessoria e de suas realidades, as inquietações de membros mais antigos e a angústia dos recém chegados foram de grande valia para reconhecer os vários aspectos que a RENAJU comporta.
Dentre os pontos discurtidos, destaca-se a constante formação em relação à pratica extensionista que se busca com a AJUP. Com isso, observaram-se oficinas votadas para as temáticas que os grupos estão envolvidos (como a questão de gênero) e os paineis voltados para educação popular e
modelo de universidade. Além disso, debates voltadas ao direito à moradia e à temática dos movimentos sociais foram bastante aprofundados, suscitando cada vez mais a participação das AJUPs em tais questões.

Momento de debate em painel do XI ERENAJU

Outros pontos importantes foram discutidos no ERENAJU, dentre eles: a) a problemática que envolve os novos membros, sendo que outros grupos enfrentam dificuldades semelhantes; b) posicionamento político da RENAJU, na tentativa de dar um posicionamento mais sólido às palavras da RENAJU; c) proposta de realizar a SEMANA DA RENAJU, concomitante em cada estado; d) discussão RENAJU – MST; e) discussão sobre ABOLIÇÃO dos ENCONTROS REGIONAIS.
Em reunião, o retrato da discussão sobre o ERENAJU resultou em um momento de auto-crítica do PAJUP, onde foram expostos brevemente as questões: a) temos sidos demandados, mas por conta de nossa desorganização não temos abarcado tudo o que nos têm aparecido; b) um segundo ponto é a necessidade de aparecermos mais na UNDB, no sentido de darmos uma maior projeção para os grupos - aqui foi citada a idéia de formular uma forma de os grupos de Pesquisa e Extensão resplandecer mais, independente do apoio Institucional; c) outro ponto levantado foi a proposta de tirar do papel o Encontro das AJUP’s maranhense.

PAJUP na Rede Nacional de Assessoria Jurídica Popular

PAJUP na Rede Nacional de Assessoria Jurídica Popular.

Da esquerda para direita: Alexandre Ferreira, Msc. Elton Fogaça e Vanessa Melo.
Entre os dias 24 e 28 de setembro de 2008, o Prof. Msc. Elton Fogaça e alunos do Curso de Direito, membros do Programa de Assessoria Jurídica Popular da UNDB (PAJUP/UNDB), estiveram presentes no III Encontro Norte-Nordeste de Assessoria Jurídica Popular, realizado em Belém-PA.
Com essa participação, o PAJUP passa a integrar, definitivamente, a Rede Nacional de Assessoria Jurídica Popular (RENAJU).
O PAJUP é um programa de extensão universitária do Curso de Direito, cujo propósito consiste no diálogo entre o saber acadêmico e o saber popular, a fim de promover o ensino (associado à pesquisa e extensão) comprometido com o processo de emancipação/transformação social. Nesse intuito, o programa já vem atuando, desde o início de 2008, nas comunidades da Vila Luizão e bairro da Divinéia, em São Luís-MA.